quarta-feira, 1 de outubro de 2014

"Sementes …de poesia" de Raúl Ferrão


[…]

Ler SEMENTES DE POESIA foi um deleite, pois a poesia que nos abraça é pincelada em 66 cores expressivas e muito próprias, palavras condensadas em poemas curtos e de fortes mensagens que passam pelo crivo da sua alma, e que a torna única pela forma como a simplicidade, as raízes, os sonhos e a natureza falam e interagem com o autor.
O sujeito poético é um amante da simplicidade da vida, da natureza genuína e livre e é precisamente isso que transparece na sua poesia, tal como podemos ler no excerto do poema AREIAS DO TEJO


Jogo às escondidas com o Sol
e leio as mensagens
que o Rio me escreveu
nos sulcos deixados na areia
à sua passagem.



[…]

Ler SEMENTES DE POESIA é conhecer o poeta Raúl Ferrão. Em cada poema, o leitor tem a possibilidade de o ver brincar com as palavras, bordar-lhes a musicalidade e gotejá-las de sentimento, dando-lhes vida, personificando a água inquieta, o fogo da paixão pela vida e o grito de esperança, numa luz e cor que enriquece e alimenta a poesia.


ESCREVO-TE
Escrevo-te com as palavras do sentir,
que pouco mais sei escrever e porque é essa,
a minha melhor forma de exprimir
as emoções de quem vive o que confessa.

Sem te escrever não me conhecerias
ou poderias sequer saber que existo.
E é nas palavras confessas que avalias
este querer profundo a que não resisto.

Se as palavras não chegarem para sorrires,
que eu seja vento, ou Sol, ou chama.
Que te sopre aos ouvidos para as ouvires
e te aqueça a alma com o fogo de quem ama.


[…] 
SEMENTES DE POESIA veste as palavras com sons e cores tão diversificados e atauxiados que estou convicta de que o leitor se envolverá com a magnificência da sua poesia, tal como eu a absorvi quando a li.

do prefácio de Mariana Loureiro