quinta-feira, 26 de julho de 2018

Luciano Reis ー Mestre das Palavras


preço: 15,00
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O Luciano é um escritor. Mas também um ator. o Luciano é um contador de histórias. Mas também um dinamizador cultural. o Luciano Reis é Cultura. e Património. Seja ao leme da Casa Museu Leal da Câmara, ou seja, como voluntário na Universidade Sénior de Rio de Mouro.

Falamos claramente de um Ser Humano de exceção. Daqueles de Luz que com a sua Luz iluminam a vida daqueles que o rodeiam. É por isso difícil escrever sobre o Luciano. Muito difícil.

Solidário. Amigo e Generoso. Culto. Superiormente culto. e empenhado. Sério e trabalhador. Profundo e denso. o Luciano é uma Alma grande. Enorme.

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É despretensioso. É humilde na forma como escreve. Escreve para que o possamos ler e até nisso o Luciano é generoso. o sucesso dele explica-se muito naquilo que é a sua forma de ser. na verdade, o Luciano escreve como é. Conta-nos histórias de vidas. Investiga e transmite o saber. Acolhe-nos e afaga-nos em cada linha de poesia ou de pensamento.

O Luciano guia-nos a cada palavra e convoca-nos para a profundidade. Às vezes inquieta-nos. Lembra-nos patamares de conhecimento interior que ainda não dominamos. Porque o Luciano na sua escrita é um biógrafo, mas também um pensador. Um poeta e um historiador.

Escrever este prefácio foi verdadeiramente um exercício de terrível e brutal dificuldade. Porque não escrevo como aquele que nestas páginas vai surgir perante Vós. Mas sobretudo porque não é fácil descrever em meia dúzia de linhas os traços mais característicos de uma personalidade tão densa e de quem tanto gosto.

Tudo o que desejo é que cada um dos leitores encontre nestas páginas o verdadeiro e genuíno Luciano Reis. e que o descubra como ele é na plenitude.

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do prefácio de Bruno Parreira



“Amantes da Poesia” Colectânea 2018


preço: 15,00 €

Os verdadeiros Amantes da Poesia terão, neste livro, um caminho a percorrer com curiosidade e prazer, devagar como devem ser lidos todos os livros de poesia, saboreando cada palavra e cada sentimento. Sendo certo que cada leitor faz o seu próprio caminho porque um poema é diferente consoante quem o lê, existirá sempre a descoberta de uma rota de prazer por entre o universo de poemas agora trazidos à luz do papel por esta Colectânea. Para os autores aqui reunidos, tenham ou não livros individuais publicados, esta é uma excelente forma de divulgar a sua escrita, quer entre outros autores quer para o público em geral. É também uma oportunidade de tomar conhecimento de outras formas de abordar a poesia, o que contribui sempre para um enriquecimento pessoal.

Por todas as razões expostas e certamente muitas outras, estão de parabéns o programa Amantes da Poesia, da rádio Popular FM e a sua dedicada coordenadora Maria Isabel Rodrigues, bem como a editora Modocromia que pôs, como sempre, na publicação desta Colectânea, a sua marca de excelência, por contribuírem, mais uma vez, para pôr na mão do público leitor, poesia eventualmente menos conhecida mas, nem por isso, menos merecedora dessa exposição. Estão de parabéns os autores que deram, a cada poema, a sua inspiração e o seu amor às palavras e que têm a gratificante sensação de serem publicados, lado a lado com os seus pares. Penso que de parabéns estará também o público leitor porque a poesia, quando não é um gosto inato, poderá ser, pela elevação da alma de quem lê, um gosto adquirido, para que, mais uma vez nas palavras de Garcia Lorca, a poesia seja o mistério de todas as coisas.
  do prefácio de  Alice Duarte

Colectâneas "Amantes da Poesia"
publicadas pela editora Modocromia


Edgardo Xavier ー Palavra de Cardo


preço: 12,00 €

A leitura deste novo livro de Edgardo Xavier é um regresso ao tema dominante da sua poesia: o amor como pulsão ávida de posse e de entrega total. o regresso é do leitor, já que o poeta persiste no tema do qual, a avaliar pelos vários livros de poesia que dele conheço, nunca se afastou. a poesia de Edgardo Xavier é de um amor vivo, revivido e interminável.

O cardo não é uma flor macia nem frágil. ao escolhê-la para título, o poeta diz ao que vem. Não são de estranhar verbos como arranhar, morder ou raspar. a poesia de Edgardo Xavier é feita de palavras diretas, nuas e cruas, sem embelezamentos formais. É poesia sem corantes e sem conservantes. Palavra servida em bruto, assim como a resposta desejada: Quero de ti / raspada / a palavra que responda / aos meus uivos [Lobo Alfa, p. 14]. Esta brutalidade, esta crueza formal é o primeiro sinal de autenticidade da poesia de Edgardo Xavier.

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do Prefácio de Carlos Campos

Manuel Veiga ー Do Amar e da Guerra


preço: 15,00
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Este romance (há uma subliminar paixão por Maria Adelaide que atravessa o discurso, logo é de romance que se trata, puxando aqui a brasa à designação de Sthendal, também ele um homem de vários amores e guerras) de Manuel Veiga, mesmo quando o autor teima em afirmar que o sujeito está fora da história, ao mesmo tempo que exorciza os fantasmas, constrói uma escrita de coragem - o assumir dos factos e das feridas que lhe estão no cerne, a dor e o remorso, a dor que não finda, esse rio que não estanca, o lateral, as doenças venéreas com o alerta do oficial de cavalaria: antes de montar, deve conhecer primeiro os vícios da montada -, o sujeito afinal está lá enquanto agente de uma determinada realidade histórica e da sua efabulação; contribuindo, nesse modo confessional de afirmação do horror, para a abertura ao mundo desses fragmentos perceptivos: há uma componente humanista (no sentido heideggeriano) universal neste texto que é, na sua proposição subjectiva, um traço determinante de modernidade.
Se o acto de escrever é um processo de responsabilização - cultural, cívico e ético, Manuel Veiga, ao tratar neste livro a língua e as palavras com o peso e a substância simbólica que elas devem ter, e nessa busca de signos se alimenta (o que já acontecia em Notícias da Babilónia), que da guerra, e da vida, traça amplas similitudes entre a realidade e a ficção, entre o discurso íntimo e a exposição pública que os conflitos, por serem do domínio do histórico, implica, mesmo quando a palavra fica angustiantemente presa na liana, a escrita de Veiga atinge, quase sempre, esse estágio supremo de configuração, de imanente e visceral criação literária, acrescentado ao discurso os elementos eufóricos e disfóricos da sinceridade: emocional, ideológica, afectiva, sexual.

Raramente a literatura portuguesa deu a dimensão trágica, o absoluto do drama, do épico, como nos textos em que a Guerra Colonial surge como suporte ficcional. É a tragédia do homem só com sua consciência, com o seu conflito entre o dever, a justiça e a dignidade - o homem e o seu estupor existencial, a sua circunstância, em estado de inquietação e perplexidade, e esses estágios do ser, essa essência, raramente a literatura portuguesa conseguira traduzir tão rigorosamente.
Outro dos elementos que Veiga introduz no discurso narrativo é o do humor, do sarcasmo, da ironia, da capacidade de auto-análise, de desmontagem do drama (simultaneamente individual e colectivo) através do humor; a distanciação do objecto ficcional, a contenção do trágico.

Este novo livro de Manuel Veiga, estes fragmentos cumulativos que atravessam as memórias da infância, da adolescência, da descoberta do medo, do amor, do absurdo, dão-nos um romance modelar nos seus plurais modos de dizer, de (d)escrever um dos períodos mais sofridos, em termos sociais, históricos e políticos (mesmo quando o sujeito está fora da história, repete o autor), da segunda metade do século XX português. Um épico geracional que nos diz, que rigorosamente, na sua assumida dispersão narrativa, nos reflecte e questiona.
Um livro mais a juntar ao largo espectro canónico da literatura que expressa o conflito Colonial, mas que transcende esse período, esse tempo mordente e ácido: abre a outras e mais profícuas coordenadas, ao investir nos modos de abordagem estética, do fenómeno literário.
do prefácio de Domingos Lobo

Livros do autor
publicados pela editora Modocromia



Maria Lascasas ─ Um Braçado de Estrofes


preço 12,00 €
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Em cada página encontramos vida - a poesia vive - nas coisas mais simples e frequentes como na chuva, num casario, num amor, na dor, num Inverno que teima em ficar, numa Primavera que não quer chegar ou numa pequena luz.
Desfolhar esta obra não é um acto vulgar de leitura, é um degustar da luminosidade e sobriedade da poesia, é um encontro com a beleza das palavras. É um descobrir de cores em páginas escritas a negro, um olhar feminino do mundo, um descobrir de imagens escritas, um abrir de coração e um abrir de braços que se estendem abraçando-nos a alma.
É, portanto, um abraço que Maria Lascasas dá, a cada leitor, nas situações mais triviais dos nossos dias, um abraço despretensioso, amplo e verdadeiro, partilhando com cada um de nós, em linguagem própria, a sua alegria na escrita.

[…]

Em cada página encontramos vida - a poesia vive - nas coisas mais simples e frequentes como na chuva, num casario, num amor, na dor, num Inverno que teima em ficar, numa Primavera que não quer chegar ou numa pequena luz.
Desfolhar esta obra não é um acto vulgar de leitura, é um degustar da luminosidade e sobriedade da poesia, é um encontro com a beleza das palavras. É um descobrir de cores em páginas escritas a negro, um olhar feminino do mundo, um descobrir de imagens escritas, um abrir de coração e um abrir de braços que se estendem abraçando-nos a alma.

É, portanto, um abraço que Maria Lascasas dá, a cada leitor, nas situações mais triviais dos nossos dias, um abraço despretensioso, amplo e verdadeiro, partilhando com cada um de nós, em linguagem própria, a sua alegria na escrita.

do prefácio de Alberto Cuddel

Manuel Marques Francisco

preço: 10,00 €
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Com este livro somos novamente congratulados com o seu gosto pela escrita onde sempre enalteceu o seu amor pela família, pelos amigos, pelas gentes e tradições.
Vários são os temas abordados, onde a vivência do autor tem lugar de destaque mas também somos brindados com vários temas da actualidade, do dia a dia das gentes e tradições de Salvaterra de Magos.

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do prefácio de Cristina Audácias Almeida
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Histórias e Factos – porque o Manuel, sabe como ninguém transformar qualquer História ou Facto em poesia. Para além de bom observador, tem a grande capacidade de rimar sobre qualquer assunto.

Os seus livros são o retrato da sua personalidade. Podemos dizer com toda a verdade que a sua vida é um livro aberto, senão veja-se como em “Madrugada” se adivinha o prazer que sente ao assistir ao despontar de um novo dia!

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do prefácio de Alice Calçada
Livros do autor
publicados pela Modocromia

J. Ernesto da Fonseca


preço: 13,00 €

"Que estranha profissão a de Enfermagem" conclui o autor, para mais à frente… "cuidar de pessoas que em determinado momento se encontram dependentes, não se resume a actividades pré-determinadas". Memórias de um Enfermeiro de Aquém e Além-Mar, título ilustrativo de histórias marcantes, de um realismo e com um pormenor tal, que a sua leitura nos transporta à época e nos envolve nas vivências descritas que recheiam o seu percurso de vida.
"Angola - Amálgama de Novas Vivências", surgem desde logo surpresas na viagem e se repetem no quotidiano da sua actividade, pois não fosse o autor alguém que… "idealizava a realidade de Angola e de África em geral, (1960) a partir do único pedaço do mundo que conhecia, a Península Ibérica".
Dos episódios pessoais e profissionais descritos no que designa O meu baptismo de mato e capítulos seguintes, enquanto enfermeiro da Companhia de Diamantes de Angola, surgem uns como frustrantes e outros com plena satisfação e compensação, dos quais destaco pela sua singularidade, embora de diferente natureza: Momentos Inolvidáveis, o nascimento do primeiro filho; Milú, Uma Lição de Afectos e Issula a Menina de Ninguém. A riqueza, a diversidade e especificidade de todas estas vivências, levam o autor a afirmar: …"fiquei com uma certeza, seja na mais civilizada ou na mais primitiva das sociedades, só a humildade nos torna dignos e merecedores da admiração e respeito por parte dos outros".

[…]

do prefácio: Lurdes Asseiro

Artur Manuel Gomes

preço 12,00 €


Ao percorrer a estrada da vida vamos juntando aqueles a quem chamamos amigos. Muitos, poucos, não importa a quantidade. Apenas importam aqueles que ficam sempre no nosso coração, mesmo que a distância nos separe. Mas são esses a quem sabemos poder recorrer quando necessitamos de uma palavra de conforto, de um abraço que sabemos sincero e desinteressado, de uma ajuda de qualquer tipo. É neste grupo que tenho o privilégio de incluir o Artur Gomes, fiel companheiro de viagem desde há décadas. Achava que o conhecia bem, das muitas conversas ao longo destes tantos anos, das inúmeras provas de grande amizade.

Mas confesso que fiquei surpreendido ao ler os seus escritos, ao longo deste livro. Surpreendido porque fui descobrir uma personalidade ainda mais sensível, capaz de páginas de uma enorme ternura, que nos comovem, sobretudo porque conhecemos o conteúdo das entrelinhas. Parabéns Artur por esta magnífica coletânea de episódios, pela ternura que deles sobressai e pelo exemplo de vida que nos conta.


do prefácio: António Manuel Lopes Antão (Oficial da Armada)

sábado, 14 de abril de 2018

Alice Duarte

preço: 12,00 €
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Uma poesia límpida, adulta, sem artifícios da palavra e da metáfora, o que muitas vezes dá à escrita um pendor intelectual que em nada vem acrescentar valor, antes pelo contrário.

Uma poesia (se assim se pode dizer) entre Miguel Torga e Eugénio de Andrade. Pura como o osso, e luminosa como as dunas de Fão. Uma poesia assim conseguida, dá-nos o alimento da alma.
E o que de melhor o Homem se identifica. A arte.

Parabéns à autora Alice Duarte e à Modocromia por apostar em poetas de qualidade fora do circuito reinante.
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 do prefácio de Joaquim Monteiro

Livros da autora
publicados pela Modocromia

Palavras de Cristal 2018


preço: 15,00

Em 2013 a Modocromia assume o primeiro volume da Colectânea PALAVRAS DE CRISTAL cumprindo de alguma forma uma homenagem à poesia. O projecto alia-se a um movimento crescente ainda sem nome nem forma, mas uma realidade inequívoca, em que inúmeros novos poetas surgem de forma notória através das redes sociais, num novo universo de partilha sem fronteiras. E tal como os anos se foram sucedendo, também a Colectânea ganhou vulto e cresceu assumindo-se a obra como uma necessidade de continuar a dar voz à nobre arte de escrever poesia que alcança hoje o seu V Volume.

Cinco anos se celebram agora, a criar continuamente uma janela de oportunidades para poetas que nunca tiveram voz, envolvendo-os de forma saudável com outros já acreditados, mas mais do que isso, um livro histórico que ficará na nossa literatura como uma imagem de uma geração literária e que perpetua o registo cronológico do pensamento e da cultura de uma sociedade criativa.
[…]
Mais do que uma Colectânea de Poesia, PALAVRAS DE CRISTAL brilhará também pela intenção arrojada de se transformar num livro de estudo, onde todos aprendemos um pouco sobre nós próprios revendo-nos algures na enorme diversidade de estilos e temas.
Uma obra escrita por poetas e na língua dos poetas. Um abraço poético colectivo a todas as culturas lusófonas que utilizam a língua portuguesa como sua.
Um livro de cabeceira para absorver e sonhar demoradamente.
[…]

do prefácio de Raul Ferrão
Colectâneas Palavras de Cristal
da editora Modocromia

domingo, 31 de dezembro de 2017

Eugénio Trigo


preço: 10,00

                     amanhã começarás a inclinar a lua
                     e a sentar-me no pôr do sol que se
                     vê cair dos teus cabelos

Eugénio Trigo                      

Livros do autor
publicados pela Modocromia

Joaquim Monteiro


preço: 12,00 €

[…]
Ainda será possível escrever poemas de amor? Quem folhear a maioria dos livros publicados nas duas últimas décadas não deixará de reparar que as composições sobre o tema surgem marcadas pelo desencanto, o cinismo, a incomunicabilidade entre o eu e o outro. Tal poesia enfatiza a descrença nos afetos mais fundos e sublinha a irremediável fratura entre os amantes, como se não houvesse qualquer redenção ou entendimento possível.
[…]
Ler o volume que o leitor segura nas mãos assemelha-se a reencontrar um velho amigo, porque “A luz do corpo”, seguido de “O difícil ofício” se enraíza nos motivos e estilo a que Joaquim Monteiro nos habituou, ao longo de uma obra profícua e talentosa. Tematicamente, o título deste volume resume o espírito dos poemas aqui coligidos: a exaltação do amor erótico, numa atmosfera de “incontida alegria”, sem margem para a culpa, à maneira de Walt Whitman, Fernando Pessoa ou Eugénio de Andrade, entre outros nomes maiores das letras universais.
[…]
Se deixar de existir um espaço para a poesia de amor, um tema quintessencial, haverá futuro para a arte das letras? Numa entrevista ao suplemento Ípsilon, do jornal Público (2 de novembro de 2017), o romancista brasileiro Milton Hatoum lamenta que a literatura esteja a viver o seu “delicado crepúsculo” — e eu não poderia concordar mais. Implodimos na ignorância, na estupidez, no superficial. Sinais de uma época em que a velocidade substituiu a paciência; o imediatismo, o pensamento; a lassidão, o esforço. Nunca se falou e escreveu tanto — nas redes sociais e na blogosfera —, e paradoxalmente nunca se disse tão pouco. Babel cumpriu-se da forma mais retorcida: entendemo-nos, mas nada temos para comunicar. É altura de nos afastarmos do ruído para regressarmos ao essencial, que só o recolhimento proporciona; ao que apenas se segreda entre dois amantes; a tudo quanto cabe entre um verso e o leitor; à paixão eufórica pelo outro, que o talento de Monteiro agora nos oferece.

do prefácio de João de Mancelos
Livros do autor
publicados pela Modocromia

Clementina Matos ー Piedade – Paixão em Gondramaz


preço: 18,00 €

A perda de uma criança ao nascer, o achamento de um cachorro perdido no mato, a proliferação de castanheiros, a partilha e o ato de proteção associados ao nome de Martinho, criaram a imagem da alma que paira numa zona montanhosa do distrito de Coimbra.

Em 1928, algures no coração da serra da Lousã, a aldeia de Gondramaz registou no seio dos seus habitantes o nascimento de uma menina. Maria da Piedade cresceu feliz e acalentou durante a sua juventude o sonho de vir a ser mestra de crianças, mas a sua condição de serrana facultou-lhe apenas o apego à imagem da concertina que ela associava ao livro abrindo e fechando, nos dias de festa da aldeia.

Esta jovem teve uma paixão por Gonçalo, um rapagão que por ali apareceu um dia e com quem viria a casar. Viveu infeliz para sempre a partir desse momento. O homem, que entretanto se tinha tornado escultor de pedra mole, manteve-a semi-encarcerada e submetida com próprio consentimento, porque ela o temia e amava cegamente sempre com a esperança de um dia vir a ser estimada pelo marido.

A debandada geral dos habitantes da aldeia nos anos de 1960, para terras do Brasil, entregou o sítio ao esquecimento e à ruína em que o foi encontrar um casal de Leiria que por ali apareceu, depois de se ter perdido nos caminhos da serra dentro de um todo-o-terreno.

Apenas 7 pessoas ainda lá permaneciam, vivendo separadas da localidade mais próxima: Miranda do Corvo.

Aconteceu isto no final da década de 80.

E um processo de repovoação se iniciou. Eram agora os turistas, em busca do retorno às origens, à paz da montanha e ao silêncio das noites calmas, que ali reabilitavam os casebres de xisto e movimentavam as ruelas do sítio, aos fins de semana e em datas festivas.

A Maria da Piedade, agora velha e sofrida, conta a uma dessas turistas a história da aldeia do seu tempo, a alegria perdida, os sonhos e os pesadelos vividos.

Desvendam-se realidades tristes desconhecidas dos forasteiros que perspetivam a serra apenas do lado da beleza visível, o pitoresco sobrepondo-se à tragédia das vidas serranas.

Isadora vem do Porto, compra a sua casa de férias nessa aldeia e tenta salvar a Maria da Piedade de um fim de vida indigno, mas não chega a tempo.

E é em 2010, junto à campa da amiga, que uma jura dá lugar à ressurreição da alma da jovem serrana, a qual se transforma em lenda, para que não seja esquecida.

O seu casamento com a montanha e com os castanheiros que a viram nascer surge da sua capacidade de amor e de perdão, tornando-se imortal.

Nessa aldeia se vendem, ainda hoje, as estátuas toscas esculpidas em xisto, representando imagens que pretendem expressar o sentimento de paixão suprema. São as Pietà.



Clementina Matos 

Livros da autora
publicados pela editora Modocromia