segunda-feira, 5 de outubro de 2015

"A Letra E" de Clementina Matos




A casa da Eva ficava dentro de um quintal grande, cheio de carreirinhos, que formavam canteiros diversos, onde cresciam legumes, flores e árvores de frutos. Havia até um belo caramanchel ao fundo, rente à estrada.
Dois portões largos em ferro, que o pai dela mandara pintar e que tinham uma cor muito semelhante à da cor das telhas, estavam quase sempre abertos.
As telhas, que eram garridas, luziam em dias de sol e fulgiam depois de uma chuvadazinha, que costumava acontecer com relativa frequência.
Era esta uma chuva que vinha largada e doida, como um pião de meninos, para lavar tudo.
Tudo menos as cismas de uma menina.
Acontecia isto naquela vila antiga, que tinha o extravagante nome de Pevidém.


[…]

Que direi agora relativamente ao estilo de Clementina Matos? Que dizer da sua maneira de contar?
Somos embalados pelo prazer de ler a sua prosa. E, a certa altura, damos por nós entusiasmados pela leitura. E cheios de curiosidade, pelo desenrolar da história.
Penso que este é o grande sintoma do valor do livro: o prazer e a atenção que despertam no leitor.

do prefácio de Isabel Bruma

ilustração da capa Maria Matos Meireles Graça