quarta-feira, 1 de outubro de 2014

"À Janela do Teu Corpo" de Joaquim Monteiro



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O poeta Joaquim Monteiro no desbravar do corpo feminino “nu e azul” faz trinar as cordas da sua guitarra de loucura no melodiar da voz dos pássaros que arde clamando o amor. É nessa altura que o corpo – da palavra, aqui em forma da mulher que canta – se molda ao sabor das horas, que os novos trilhos se abrem com o sabor “da saliva de sal” – um indicativo dum saber purificador, dum futuro de sabedoria, ainda que por dizer, mas que se augura promissor no amor. Num contexto bem mais amplo e que abrange toda a sua obra, a expressão “saliva de sal”, é aqui tomada como o sentido purificador do amor, que é, afinal, o significado bíblico do sal: aquele que impede e afasta toda a decomposição, toda a sujeira moral e espiritual que será, se não fulminada, pelo menos decantada pelo fogo que cresce na e com a palavra em toda a sua obra.

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A obra de Joaquim Monteiro, «À Janela do teu Corpo», é isso mesmo: a força das “fontes (...) / sobre o corpo da matéria”, quando “o corpo” se transforma em cinzas que “já nem a terra as quer”, mas “o oceano purificado do fogo (...) as deseja”.
É a força e a perfeição da palavra que canta a MULHER-CORPO em que o AMOR é o elemento aglutinador, é o eixo-força da razão e do sentir, que busca a sabedoria mesmo que esta se esconda nas “trevas”.


do prefácio de Alvaro Giesta